(Santa Cruz, na extrema zona oeste, tornou-se reduto do voto de esquerda no Rio de Janeiro)
Por Igor Bruno, candidato a vereador (65651), em seu blog.
A PUC disponibilizou, há poucos dias, um estudo sobre as eleições no Rio de Janeiro. O trabalho pode ser baixado gratuitamente aqui. Traz informações interessantes para quem deseja estudar a relação entre ideologia e geografia na cidade.
Vou tentar resumir. O trabalho faz um balanço das eleições no Rio desde 1996, analisando a dispersão do “brizolismo”. A maior parte dos candidatos que venceram as eleições desde o início da década de 90 vieram do PDT de Brizola: César Maia, casal Garotinho, Marcelo Alencar. O brizolismo, no entanto, fragmentou-se em torno desses novos caciques, que produziram, cada um, seus próprios nichos eleitorais.
O voto de esquerda no Rio também passou por uma transformação profunda. Até o advento do lulismo, em 2002, ele se caracterizava por ser um voto “ideológico”, bastante concentrado na zona sul, e a chamada “grande santa teresa” (santa teresa, lapa, tijuca, maracanã, vila isabel). O restante da cidade – áreas maiores e mais populosas – optava por candidatos de cunho conservador-populista, mais ligados à centro-direita.
De maneira geral, os gráficos mostram que até pouco tempo Rio sempre elegeu os candidatos preferidos pela zona sul. César Maia, que manteve um controle da prefeitura por 16 anos, seja através de mandato próprio, seja através de Conde, candidato que apoiou em 1996, sempre teve na zona sul seu principal núcleo eleitoral.
Naturalmente, para ganhar uma eleição no Rio, os candidatos tinham que ganhar, ou pelo menos ter boa votação, em todas as regiões da cidade. Mas a zona sul parecia sempre ditar os rumos, visto que era lá que os vitoriosos detinham seus percentuais mais expressivos.
O primeiro a romper essa barreira é Eduardo Paes, em 2008. O candidato preferido da zona sul, Fernando Gabeira, obteve vitória esmagadora nos bairros mais ricos do município, tanto no 1º quanto no 2º turno, conforme se pode ver pelo gráfico abaixo.
O então candidato Eduardo Paes, no entanto, ganha na zona oeste, e sua vantagem nessa região lhe vale a vitória.
Os autores do estudo fazem a seguinte análise daquela eleição:
A distribuição das votações de Eduardo Paes e Fernando Gabeira em 2008 parecem indicar, curiosamente, uma troca de papéis entre os dois candidatos, pois apesar de Paes ter feito a sua carreira política em partidos com perfil mais conservador, como o PFL e o PSDB, foi apoiado, no segundo turno, por partidos de esquerda. Já Gabeira, ex–guerrilheiro que teve a sua trajetória marcada por posições mais à esquerda, se mostrou no segundo turno o candidato preferido das forças conservadoras. Ao final da campanha, numa disputa muito acirrada, Paes (51%) vence Gabeira (49%) por pequena margem de votos.
Pra não se estender muito, chegamos aqui a algumas conclusões:
- O voto “ideológico” na esquerda perdeu força no Rio de Janeiro, mas foi compensado pelo voto “orgânico”. Em outras palavras, mais gente passou a votar na esquerda, mas de forma mais intuitiva do que racional. É o voto popular, mais ligado numa lógica de “campo político” do que na figura individual do candidato.
- Esse voto popular “orgânico” na esquerda é uma evolução progressista do voto no populismo de centro-direita.
- A zona da sul da cidade desde a década de 90 elegia candidatos da direita, mas também oferecia a maioria dos votos aos candidatos da esquerda. A partir do final da segunda metade dos anos 2000, o núcleo do eleitorado de esquerda migra para centro e zona oeste.
Em 2004, Jandira ainda tinha seu núcleo eleitoral no centro, zona sul, e bairros mais ricos da zona norte, com pouca entrada na zona oeste.
Em 2008, a situação se inverte. O eleitorado da comunista passa a se concentrar basicamente nos subúrbios mais profundos da cidade, especialmente norte e oeste, mantendo um cinturão encravado nas comunidades que rodeiam o Rio Comprido.
Outros gráficos mostram, com ainda mais clareza, essa evolução do voto na esquerda. Reparem na votação em Lula em 2002 e 2006, no Rio de Janeiro. O lulismo também migra para a zona oeste e periferias da zona norte. Na zona sul, por sua vez, é onde o PSDB passa a ter mais votos.
Por fim, observemos os dados mais recentes. Confira os votos de Dilma e Serra por região da cidade:
Repare que Dilma Rousseff concentra mais força nos subúrbios da cidade. A vitória na Barra provavelmente se dá em função do eleitorado das comunidades da Cidade de Deus e Rocinha. Veja abaixo a performance de Serra.
O tucano concentra seu eleitorado na orla, desde o Recreio até a Ilha do Governador.
E como isso se reflete nas eleições deste ano? Bem, este é assunto para outro post… Mas podemos adiantar o que não é segredo para ninguém: a “oposição” ao governo federal tem na zona sul o seu principal núcleo. Isso gera uma atmosfera política que acaba beneficiando todo candidato de oposição ao “lulismo”.









O voto de esquerda no Rio http://t.co/7pr5r0t7
O governismo de vocês é patético. Tanto rodeio pra sempre chegar no mesmo lugar: vocês (ainda) se acham de esquerda e tentam colar Freixo na direita.
Não vão conseguir.
Você se acha de esquerda?
O anti-governismo dos lacerdista é patético.
Pera aí, então porque a zona sul não quis votar no Paes, isso quer dizer que eles são ”uma força conservadora”?? Por favor, né …
São conservadores não. Os moradores da Zona Sul (principalmente Ipanema e Lebron) é tudo comuna.
Pra esse ”dito” jornal parece mais provável que TODOS defensores da esquerda tenham se mudado pra zona oeste do que a possibilidade do verdadeiro candidato de esquerda ser o Gabeira… kkkkk. Lamentável a qualidade dessa notícia.
Gabeira apoiou o Serra. E tinha apoio da direita (PSDB, DEM, militares).
Os lacerdistas que leem este blog estão estressados.
Votei no Freixo para Deputado e gostei do desempenho dele como parlamentar. Não me arrependo do voto. Daí a querer ser Prefeito do Rio vai uma grande diferença. Um bom deputado não se transforma do dia para a noite em um bom Prefeito. Além disso sua agenda, para combater a boa gestão de Eduardo Paes, torna-se estapafúrdia pela necessidade de afirmar-se com alternativa, não lhe restando outra opção se não cambar para a direita com um falso e diluído discurso pela esquerda. Pena que o PSOL se sujeite a servir de cavalo de Troia da Direita. Que Gabeira e seu PV fizessem até que é compreensível. Vide o PV baiano apoiando ACM Neto. Mas o PSOL??? Lamentável!!!